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Agenda Cultural

“Luís Bittencourt - Sons de Resistência | _DesConcertos_”

Sons de Resistência é o título do mais recente concerto de Luís Bittencourt e um dos seus projetos mais arrojados até a data. Na contemporaneidade de um mundo globalizado, conectado e tecnológico, e afetado por diferentes problemas sociais e formas de opressão, as práticas de resistência surgem como linhas desobedientes que questionam os princípios de ordenação e conservação que regem diversos aspectos da vida em sociedade. A música e arte possuem a capacidade de alcançar lugares na mente humana em que a opressão não alcança, fortalecendo a capacidade de resistir com a potência para atravessar instituições e organizações, questionando seus modos de funcionamento ou criando outros significados. Resistir às fronteiras que segregam pessoas e culturas. Resistir à opressão das identidades. Resistir às injustiças e desafios do mundo contemporâneo através da arte, fazendo música com aquilo que se tem à mão, seja um instrumento musical requintado ou objetos vulgares como uma palete de madeira ou sacos plásticos. Resistir aos ideais estéticos (e, por vezes, estáticos!) dominantes que separam sons musicais de sons não-musicais, música e ruído, entre outras formas.
Neste concerto, a Import/Export: Percussion Suite for Global Junk, do compositor Gabriel Prokofiev, é central neste programa e será apresentada pela primeira vez em Portugal. Sua instrumentação utiliza um quarteto de objetos vulgares e verdadeiramente globais — um bidão metálico, garrafas de vidro, sacos plásticos e uma palete de madeira. Em Import/ Export, estes objetos são combinados ao uso de live looping e processamento de áudio em tempo real, o que amplia o espectro sonoro destes materiais. A estreia da obra contará com com a participação do compositor e investigador Tiago Lestre (sound design) e com vídeos originais concebidos pelo artista visual Flávio Almeida. O programa ainda apresenta Xcuse Me While I Kiss the Sky, de Pedro Junqueira Maia, obra que propõe uma interacção entre os universos sônicos de John Cage e Jimi Hendrix, dois artistas que criativamente transgrediram as fronteiras e estéticas sonoras de seu tempo.

Ciclo_DesConcertos_
Programas por vezes desconcertantes, num formato menos convencional e porventura nem sempre nos espaços mais convencionais do Convento São Francisco.


Ficha Artística
Percussão: Luís Bittencourt
Sound design: Tiago Lestre
Vídeo: Flávio Almeida
Manager: Tatiana Vargas 


Programa
Import/Export: Percussion Suite for Global Junk* (2008) - Gabriel Prokofiev (1975) - c. 30 min
Globalização, lixo, política, economia: estas são apenas algumas das questões implícitas em Import/Export: Percussion suite for global junk, um solo para percussão de cerca de 30 minutos, do compositor, produtor musical e DJ Gabriel Prokofiev. Uma obra diversa e imprevisível que apresenta um quarteto de objetos comuns como instrumentos musicais protagonistas: um bidão de combustível, uma palete de madeira, sacos plásticos e garrafas de refrigerante. Objetos verdadeiramente globais, que podem ser encontrados em qualquer lugar do planeta, e que viajam pelo mundo afora transportando, poluindo e mantendo a economia moderna em movimento — mensageiros inocentes, mas destrutivos, de um sempre faminto free-market. Além destes objetos, Import/Export usa o processamento sonoro digital para ampliar os sons naturais destes materiais (metal, madeira, plástico e vidro), o que resulta em um música com uma gama diversificada de texturas e timbres. Composta em 7 movimentos ou "viagens sonoras”, a obra preza por um senso de estrutura, melodia e harmonia herdado da tradição musical clássica da família Prokofiev, apesar de sua instrumentação incomum. "Import/Export is that rare achievement: music wholly sufficient in itself that is shot through with the cultural fall-out which inspired it” (Gramophone, UK)

Xcuse Me While I Kiss the Sky (2010) - Pedro Junqueira Maia (1971) - c. 11 min
"Na génese de ’xcuse me while i kiss the sky’ esteve uma singela tentativa de relembrar dois autores que me foram, em situações relevantes, de importância superlativa: John Cage e Jimi Hendrix. O primeiro é representado por todos os ruídos que são produzidos pelo percussionista, a partir de objetos sonoros como papéis, jornais, plásticos, lápis, bolhas de ar, pedras, copos, fita‐cola, etc.; o segundo através da presença de uma guitarra eléctrica distorcida (que melhor maneira de homenagear Hendrix), um instrumento que aqui terá, inclusive, direito a uma secção de cadenza ao estilo da clássica forma do concerto solista. A obra procura
a integração entre elementos improvisados e escritos – a electrónica, um ‘gesto’ sonoro de características densas, rugosas e que se procuram em perpétuo movimento, foi construída a partir dos mais variados sons que surgiram de uma pesquisa abrangente sobre as tendências musicais à altura da sua feitura (algumas mais, outras talvez menos) e serve de estrito fio condutor da peça. Ao percussionista é pedido que reaja à electrónica com os sons que produz com os objectos/instrumentos à sua disposição. Cabe, assim, ao percussionista uma interacção em tempo real com a electrónica, agindo, em jeito de improvisação que se procura
controlada, como imitação, variação, repetição contrastante da electrónica propriamente dita.” (Pedro Junqueira Maia)

Directionlessness (2017) - Luís Bittencourt (1981) - c. 10 min
Directionlessness foi concebida a partir de uma abordagem transtextual que presta homenagem às ideias de dois compositores que admiro: Peter Ablinger e Morton Feldman. A obra oferece ao público a oportunidade de apreciar sons que costumam passar despercebidos, devido ao seu baixo volume sonoro, como o som do cair das gotas da chuva sobre o solo ou sobre objetos. Além do vibrafone, a instrumentação inclui um conjunto de tubos de vidro, altamente amplificados, que são percutidos por gotas de água que caem de pequenos pedaços de tecido, encharcados em água e pendurados sobre os tubos. Isto cria uma espécie de "chuva controlada” e a música produzida é bastante complexa: o que começa com um gotejar contínuo sobre um único tubo, de repente transforma‐se numa oresta polirrítmica turbulenta, na medida em que mais tecidos são, um a um, adicionados, criando um desfasamento de gotas que caem sobre os diferentes tubos de vidro. Os sons gotejantes são combinados com a sonoridade do vibrafone, que é tocado em grande parte da peça apenas com os dedos, de forma gentil e suave, na busca por uma intenção sonora similar à da chuva. Directionlessness é uma peça que não pretende estabelecer nenhum ponto de partida ou de chegada evidentes, mas sim proporcionar um fluxo sonoro contínuo, algo que simplesmente "passa” pelo espectador sem uma direcção específica. (Luís Bittencourt)


Classificação Etária
M/12


Duração
60 minutos


Informações
Bilheteira: 239 857 191
bilheteira@coimbraconvento.pt


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Bilhete único: 5€


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